CÂMARA APROVA DIMINUIÇÃO DE IMPOSTO PARA EMPRESAS DE ÔNIBUS
OPOSIÇÃO DENUNCIA INCONSTITUCIONALIDADE DA MEDIDA
Na noite de hoje (30/06), a Câmara Municipal de Niterói aprovou a diminuição da alíquota de ISS cobrada dos empresários de ônibus sob o argumento de financiar um projeto de bilhete único com vários pontos prejudiciais à população. A alíquota que no passado era de 5%, recentemente foi baixada para 3%, depois para 2% e agora, de maneira flagrantemente inconstitucional, foi diminuída para 1%.
A Emenda Constitucional 37/2002, em seu artigo 3º, incluiu o artigo 88 ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, fixando a alíquota mínima do ISS em 2% (dois por cento), a partir da data da publicação da Emenda (13.06.2002).
O Vereador Renatinho (PSOL) votou contra a Mensagem Executiva na primeira votação ocorrida em 22/06 e denunciou as irregularidades em Plenário e na Audiência Pública realizada em 29/06. Na Sessão Plenária de hoje (30/06), com a insistência do governo em votar a diminuição do ISS das empresas de ônibus para 1%, Renatinho se retirou do Plenário, acompanhando os demais vereadores de oposição, Waldeck Carneiro e Leonardo Giordano, ambos do PT. Renatinho, Waldeck e Leonardo debateram a mensagem, apelaram para o bom senso dos demais e voltaram a denunciar a inconstitucionalidade. Outra ilegalidade denunciada por Renatinho e pelos demais vereadores da oposição foi a falta de apresentação por parte do Governo de uma planilha onde fosse detalhadamente demonstrado o impacto financeiro da medida aos cofres municipais. Não sendo atendidos, se negaram a permanecer em Plenário e participar de uma votação ilegal sobre um projeto inconstitucional.
“Está mais do que claro que esse projeto do Prefeito é inconstitucional. É um absurdo esta Câmara receber um projeto desse e ainda votar e aprovar. Me nego a participar deste tipo de votação e por isso me retirei do Plenário. Fiz um juramento quando assumi meu mandato, de cumprir a lei e a Constituição, defender a justiça social e os cidadãos de Niterói. Jamais participarei de ilegalidades e de nada que seja prejudicial para a cidade. Além dessa mensagem ser inconstitucional sou contra diminuição de imposto para esses empresários de ônibus que desrespeitam tanto os idosos, os estudantes e a população em geral, prestando um péssimo serviço para a cidade”, disse o Vereador Renatinho (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos, da Criança, do Adolescente, do Idoso e da Pessoa com Deficiência da Câmara Municipal de Niterói.
APÓS DENÚNCIA DA OPOSIÇÃO, BASE DO GOVERNO REALIZA VOTAÇÃO INCONSTITUCIONAL E ILEGAL
LOGO APÓS, VEREADORES DA BASE DO GOVERNO INTERROMPEM A SESSÃO, SE REUNEM E DECIDEM CANCELAR A VOTAÇÃO!
Após Renatinho e os demais vereadores de oposição se retirarem do Plenário em protesto à votação ilegal, a votação é realizada e recebe o voto favorável de 10 dos 11 vereadores presentes. O único a não votar foi o presidente da Mesa Diretora, por uma questão regimental.
Logo após a votação, diante das denúncias de irregularidades no ritual de votação, feitas pela oposição, incluindo o ex-vereador Paulo Eduardo, presente na tribuna da imprensa, os vereadores interromperam a Sessão Plenária e começaram uma reunião ainda dentro do Plenário. Todos da base do governo se reuniram em uma “rodinha” atrás da Mesa Diretora e ficaram até as 21:30 debatendo algo que não foi ouvido nem pelos jornalistas, nem pelos que ali estavam assistindo presencialmente a sessão e nem aos que mais tarde assistirão pela TV Câmara. O nervosismo era tanto que sequer se dirigiram para outro local da Casa Legislativa e, cortando os microfones, em uma atitude quase que secreta conversaram pelo tempo que acharam conveniente.
Foi o que pode se chamar de uma confissão por parte de todos os vereadores da base do governo de que Renatinho, Waldeck e Leonardo estavam certos na denúncia e no encaminhamento feito anteriormente.
Ocorre que esta “solução” dada pelos vereadores governistas não resolve o problema, seja da ilegalidade e muito menos da inconstitucionalidade do Projeto. A confissão de que não havia Planilha que demonstrasse os custos para a cidade e o açodamento em “analisar” a tal planilha com um “estudo completo” e sem nova Audiência Pública, até amanhã às 11h, para realizar nova votação, só demonstra ainda mais a irresponsabilidade deste Poder Legislativo e a sua subserviência ao Prefeito e aos seus financiadores de campanha, os empresários de ônibus de Niterói.
Iremos seguir denunciando publicamente esta ilegalidade, levaremos a questão ao Ministério Público e ao Poder Judiciário! Não descansaremos enquanto este Projeto, agora não for retirado! Nosso mandato serve à população de Niterói e não aos empresários de ônibus! Exigimos respeito a todos os cidadãos niteroienses! A luta continua!