As grandes manifestações recentes mostraram o quanto as lutas sociais
são o único meio de conseguir conquistas reais. Ainda que estejamos num estágio
inicial desta efervescência de participação popular, é inegável que estamos num
momento novo. Conquistamos a redução da tarifa em diversos estados, mas ainda temos
muito que avançar, pois o peso da redução ainda recai sobre os cofres públicos,
enquanto o empresariado lucra à custa do povo. Além disso, outras demandas
apresentadas durante as manifestações, tais como controle das contas dos
megaeventos, mais investimento em saúde e educação ainda são questões que
pressionam os governos a tomarem posições, mesmo que não sejam ainda para
resolver de fato os problemas. Estamos só no começo, por isso, precisamos
avançar.
![]() |
Manifestação contra o aumento da passagem na Av. Amaral Peixoto - Niterói |
É nesse cenário que o PSOL deve se apresentar como uma alternativa
consequente de organização dos trabalhadores. De maneira que possamos
apresentar um programa consequente para as lutas.
Enquanto o PT e seus opositores de direita buscam soluções dentro da
ordem, favorecendo os empresários do agronegócio, construtoras e bancos, nós
nos postamos juntos aos movimentos sociais em busca de mais avanços. A
presidenta Dilma, numa manobra de reconquista de popularidade, abriu diálogo
para a formação de um novo pacto social, que é o mais do mesmo. Nós do PSOL nada
temos que fazer em espaços como este, já que este pacto mantém as elites com
seus privilégios. O papel de nosso partido é expressar as vozes das ruas,
unificando-se aos movimentos sociais, mantendo as mobilizações numa crescente.
Não há um diálogo sério se não há um conjunto de medidas deste governo
que de fato apontem para uma mudança. Como pensar em mudança se o governo nos
reservou a Força de Segurança Nacional para nos reprimir brutalmente? Como
pensar em mudança se este governo cortou mais de R$ 50 bilhões nas áreas
sociais, enquanto reservou R$ 708 bilhões para os banqueiros? Como pensar em
mudança se este governo loteou o país para os megaeventos (Copa e Olimpíada),
superfaturando obras e instalando um Estado de exceção?
Os governos comprometidos com este projeto não são nossos aliados. O
que Dilma fez nada mais é que uma manobra desesperada. Por isso, de acordo com
o acúmulo político do PSOL nenhum militante nosso está autorizado a negociar
com este governo e propor medidas de conciliação. Randolfe, portanto, quando se
reuniu com Dilma no dia 2 de junho, apoiando a proposta de plebiscito para a
reforma política, não representou a militância do PSOL. Sua atitude infeliz
contrariou as resoluções da executiva nacional de nosso partido. Não é a primeira
vez que comete esta incoerência, sua aliança com o PTB, DEM e PSDB no Amapá
revelam o quanto não partilha dos princípios de independência de classe de
fundação do PSOL.
Cada militante do PSOL que esteve nas ruas e sentiu o gosto amargo das
bombas de gás lacrimogênio e de toda a repressão policial ordenada por este
mesmo governo está perplexo com tamanha irresponsabilidade do senhor senador.
Houve um descompasso entre atitudes de um quadro público de nosso partido e o
que a base de nossa militância vem fazendo. Construímos plenárias pelo país
afora, participamos das mobilizações e se o gigante, como dizem: acordou, o
PSOL nunca se furtou da luta.
O mandato do Renatinho repudia este ato inconsequente do senador
Randolfe e reivindica o verdadeiro legado do PSOL, que é o mesmo que vemos nas
ruas, em cada militante que se dedica à construção do socialismo. Propomos-nos
a superar o pragmatismo eleitoral e tornar as ruas a verdadeira tribuna do
povo. É para isto que as figuras públicas do PSOL devem estar a serviço. Nossa
tarefa é construir as mobilizações e utilizar o parlamento como uma das vias de
expressão desta contestação popular que tomou nosso país.
Saudações Psolistas!
Mandato do Renatinho (PSOL) – Presidente da Comissão de Direitos
Humanos da Câmara Municipal de Niterói.
Nenhum comentário:
Postar um comentário