sexta-feira, 2 de setembro de 2011

REITORIA DA UFF CONTINUA OCUPADA: ESTUDANTES APRESENTAM PAUTA DE REIVINDICAÇÃO!

Movimento estudantil da UFF no momento da entrada na Reitoria
Liderados pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF) permanecem acampados na Reitoria da Universidade, que fica na Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, em Niterói. Desde a manhã do dia 31/08, cerca de 400 alunos da UFF ocuparam politicamente – de maneira pacífica – o hall do prédio e entrada da sala do reitor, Roberto Salles, que fica no 7º andar da Reitoria.

Ao contrário do que diz a nota oficial divulgada pelo reitor, mais uma vez o Conselho Universitário (CUV) foi suspenso por falta de quórum - devido à ausência dos conselheiros que apoiam a reitoria. Então, os estudantes saíram de lá em passeata direto para a reitoria. Ontem (01-09), a direção da UFF não permitiu a entrada de funcionários na Reitoria, cortou o fornecimento de água e a luz do edifício. Entre os principais pontos da pauta dos estudantes, os alunos não aceitam a construção das vias “100” e “Orla”. A obra é da Prefeitura, mas teve a autorização do reitor da UFF.

População da cidade já vinha se manifestando contra a construção das Vias.
As vias irão passar pela UFF, inclusive onde funciona a creche dos funcionários da universidade e onde está instalada uma comunidade de moradores. Os manifestantes também não aceitam as últimas medidas tomadas pela direção da UFF que permitiu o inicio das obras sem que o projeto fosse acatado pelo Conselho Universitário.

"Espero que a Reitoria receba os estudantes e não haja mais nenhum problema. O Reitor desrespeitou toda a comunidade acadêmica ao permitir o inicio das obras sem que o Conselho Universitário aprovasse o projeto. A Prefeitura está também desrespeitando a população porque não realizou sequer uma audiência pública sobre o tema. Tenho um Requerimento de Informações que não foi respondido até hoje. Ou seja, de acordo com o Estatuto das Cidades a obra não poderia nem ter sido iniciada! Independente de qualquer coisa, com o pouco que foi divulgado sobre o projeto, já posso dizer que sou contra a construção da Via Orla e Via 100.”, informou o Vereador Renatinho (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, que participou também recentemente de uma reunião promovida por moradores do Ingá onde estava presente o Presidente da EMUSA, Zeca Mocarzel. Renatinho questionou o “braço direito” de Jorge Roberto sobre a construção das Vias e mesmo sob pressão do vereador e da comunidade Mocarzel não apresentou nenhuma explicação coerente sobre a obra. A população do Ingá se colocou contra a realização da obra e vem realizando reuniões de forma a impedir que o bairro seja ainda mais impactado com a construção desta via.
Demonstração do "projeto" Via Orla e Via 100 passando por dentro da Concha Acústica e da UFF.
“Além destas vias não terem nenhuma influência sobre o trânsito da cidade, serem prejudiciais para a comunidade acadêmica e aparentemente servirem apenas para beneficiar a especulação imobiliária, em 2007 a população não deixou Godofredo acabar com a Concha Acústica e agora também não deixaremos que Jorge Roberto e Roberto Salles abram uma rua no meio deste único e último espaço público de lazer e esporte do Centro da cidade.", completou Renatinho.

A ocupação foi batizada como Ocupação Manuel Gutiérrez e Maria Cremilda, em uma dupla homenagem ao estudante chileno morto pela polícia de Piñera e à estudante da UFF Rio das Ostras que morreu atropelada em frente ao PURO na semana passada.. 

Pautas – Na pauta dos estudantes, pontos como a interrupção das obras da Via Orla e da Via 100, uma expansão que não seja precarizada, com mais professores, o cumprimento imediato do resultado do plebiscito que determinou a proibição dos cursos pagos. Além disso, pretendem chamar a atenção para pautas nacionais, como a defesa de 10% do PIB para a educação pública.

ACOMPANHE AS NOTÍCIAS SOBRE A OCUPAÇÃO E LEIAM A ÍNTEGRA DO DOCUMENTO DE REIVINDICAÇÕES ELABORADO PELOS ESTUDANTES DA UFF NO SITE DO DCE: http://dcelivreuff.wordpress.com/
Pauta de reivindicações: http://dcelivreuff.wordpress.com/2011/08/30/estudantes-retiram-estacas-de-obras-da-via-orla/

VEJAM AINDA FOTOS E VÍDEOS DA OCUPAÇÃO:

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

MATÉRIA DO "JORNAL O TERMINAL": PROFESSORES OCUPAM A CÂMARA E MANTÉM GREVE!

PREFEITO DESRESPEITA A CATEGORIA DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO
E NÃO RECEBE O SINDICATO!!!

Renatinho defende instalação imediata de banheiros públicos nas ruas da cidade!

Por meio da Indicação Legislativa 01833/2011, os vereadores Renatinho (PSOL) e Luiz Carlos Gallo (PDT) solicitaram esta semana que o Governo Municipal providencie a instalação de banheiros públicos, inclusive adaptados para pessoas com deficiência, nas principais vias públicas de Niterói. Os banheiros, segundo a proposta, ficarão sob o controle e a vigilância de servidores públicos municipais, conforme estabelece a Lei Orgânica de Niterói.

Modelo de banheiro público utilizado em Paris.

“A Lei Orgânica de Niterói em seu artigo 213, inciso XL, estabelece que o município, através de seu órgão público competente, deve estabelecer como política prioritária a instalação de banheiros públicos, inclusive adaptados para pessoas com deficiência”, assinalou Renatinho. Ele afirmou que a maior prova de que o governo não respeita sua população é que sequer a Lei Orgânica Municipal é cumprida. "Este é um governo que está se acostumando a descumprir leis, descumprem a lei do aluguel social, descumprem a lei da transparência e assim por diante. Vamos denunciar uma por uma todas as leis que são desrespeitadas pelo Prefeito da cidade", avisa Renatinho.

 Renatinho entende que é mais do que necessária a instalação imediata de banheiros públicos na cidade. “A instalação definitiva de banheiros públicos bem organizados e limpos é uma questão inclusive de saúde pública. Além da cidade ficar mais limpa, as pessoas evitarão passar por constrangimentos no meio da rua”, completa o parlamentar do PSOL.

Renatinho possui, inclusive, o Projeto de Lei 207/2010, estabelecendo a proibição da cobrança de tarifa pelo uso de banheiros em espaços abertos ao público em Niterói. No entanto, ele alerta que, para além de proibir a cobrança nos banheiros em espaços abertos ao público, banheiros públicos devem ser construídos para atender a população de maneira prioritária, cumprindo-se assim a Lei Orgânica Municipal de maneira imediata e urgente.

VEJAM A INTEGRA DA INDICAÇÃO LEGISLATIVA: 

Indicação Legislativa que solicita a instalação de banheiros públicos nas vias de Niterói.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO SÃO ENGANADOS PELO PREFEITO E A GREVE CONTINUA!

 Os profissionais de educação de Niterói, em greve desde o início deste mês, ocuparam ontem (30-08) a Câmara de Vereadores. O presidente da Casa, vereador Paulo Bagueira (PPS), se negou a receber a categoria e suspendeu a audiência pública que estava sendo realizada para discutir a composição do Legislativo niteroiense nas próximas eleições. Os manifestantes, que tiveram a solidariedade do vereador Renatinho (PSOL), vieram da Prefeitura, depois que souberam que o prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira (PDT), não iria recebê-los, conforme o próprio prefeito havia prometido na semana passada.

Profissionais da Educação ocupam a Câmara após serem enganados pelo Prefeito, que prometeu
e não recebeu a categoria na Prefeitura.
“A Câmara não pode se calar para o problema dos profissionais de educação de Niterói. Eles estão cobrando a abertura de um diálogo com o Executivo. Na semana passada, depois de ocuparem a Prefeitura, os professores conseguiram a promessa de uma audiência com o prefeito. No entanto, mais uma vez este governo não cumpriu a sua palavra. O prefeito mandou sua assessoria dizer que não atende a categoria porque se sente ofendido com alguns ataques feitos pela Internet. Essa é mais uma piada do Prefeito! Ofendidos estão os professores que não recebem sequer 2 salários mínimos e os funcionários da educação que recebem apenas 649 reais para trabalhar por 40 horas semanais em condições insalubres. Ofendidos estão os desabrigados que sofrem para receber aluguel social e continuam sem nenhuma espectativa real de receber suas casas de volta.”, afirmou Renatinho (PSOL), que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
Presidente da Câmara encerra a audiência pública, não recebe os profissionais e apaga as luzes da Casa.
O grupo que ocupou a Câmara, liderado pelo Sepe-Niterói (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação), deixou a Casa duas horas após o presidente encerrar a audiência pública sobre a alteração ou não do número de vereadores de Niterói nas eleições de 2012. Os profissionais da educação se permaneceram dentro do Plenário junto com a população que apóia a greve e os poucos vereadores que estão acompanhando a luta da categoria (Renatinho do PSOL, Waldeck e Leonardo, ambos do PT). O Sepe repudiou a atitude do presidente da Câmara que se negou a prestar solidariedade à categoria que acabara de ser enganada pelo Prefeito da cidade.
Vereador Renatinho (PSOL) participa da assembléia do SEPE Niterói e demonstra apoio ao movimento em defesa de uma educação pública e de qualidade para a cidade de Niterói.

Os profissionais de educação de Niterói, em greve há 31 dias, decidiram hoje (31-08), em assembléia realizada na Faculdade de Enfermagem da UFF (Universidade Federal Fluminense), pela continuidade do movimento. O vereador Renatinho (PSOL) esteve na assembléia para prestar solidariedade. A categoria - que reivindica reajuste salarial de 16,3%, implantação imediata do Plano de Carreira (15% entre os níveis), e carga de 30 horas de trabalho para serventes e merendeiras e demais funcionários, além de pagamento de triênios – retornou à Câmara de Vereadores e realizou um grande ato, mesmo com chuva.
Auditório da Faculdade de Enfermagem lotado durante a assembléia do SEPE Niterói: aprovada a continuidade da greve!

Recordando: Na última terça-feira (24-08), os profissionais de educação da rede municipal ocuparam o hall dos elevadores do 6º andar da Prefeitura (Rua Visconde de Sepetiba, 987) – onde é o gabinete do prefeito Jorge Roberto. Com a pressão a categoria – que reivindica reajuste salarial de 16,3%, implantação imediata do Plano de Carreira (15% entre os níveis), e carga de 30 horas de trabalho para serventes e merendeiras e demais funcionários, além de pagamento de triênios – conseguiram a marcação de audiência com o prefeito para o dia 30/08, às 17 horas, no gabinete de Jorge Roberto.

Na ocasião, Renatinho falou da situação. “Os profissionais da educação acumulam perdas salariais ao longo dos governos do PDT e PT na cidade. Até o ano passado, as perdas chegaram a 30%. O prefeito reconhece essa dívida e não paga. O Sepe tem toda razão em lutar e terá sempre nosso apoio. Esses profissionais não recebem aumento real há mais de 20 anos”, afirmou Renatinho.

O prefeito mentiu mais uma vez e não recebeu a categoria.

No último dia 8, a titular da 8ª Vara Cível de Niterói, juíza Beatriz Prestes Pantoja, deferiu uma liminar proibindo o desconto dos dias de greve nas escolas municipais de Niterói.

BAIRRO MODELO: AUDIÊNCIA PÚBLICA REPUDIA A REMOÇÃO DE MORADORES DA FAZENDINHA!

Vereador Renatinho (PSOL) na audiência: "Queremos respeito com a população!
Vamos lutar por um projeto sério de habitação popular."
Os moradores do bairro Fazendinha, no Sapê, demonstraram que vão lutar até as últimas consequências contra o que a Prefeitura de Niterói chama de 'Bairro Modelo', cujo objetivo do Governo Municipal é transferir para a localidade desabrigados das chuvas de abril. A rejeição da comunidade e de representantes de toda a cidade ao plano da administração Jorge Roberto Silveira (PDT) ficou clara durante a audiência pública realizada nesta segunda-feira (29-08), na Câmara Municipal. Esta audiência havia sido solicitada pela comunidade ao vereador Renatinho (PSOL), que teve seu requerimento rejeitado. Depois de várias manobras da base governista, a audiência foi finalmente aprovada, mas para ser presidida pela Comissão Executiva da Câmara.

Várias pessoas – moradores, lideranças comunitárias, além do presidente do PSOL de Niterói, ex-vereador Paulo Eduardo Gomes – apresentaram as razões para não confiar em mais esta promessa deste governo – que exibiu um vídeo profissional para apresentar o projeto “Aqui é minha casa”, com financiamento do Governo Federal e que pretende construir 7 mil apartamentos. As obras, porém, só estão previstas para 2012 (ano eleitoral).

Vereador Renatinho (PSOL) se revolta durante a audiência: "Esse é o governo que sempre priorizou Caminho Niemeyer"
“O que foi apresentado neste vídeo é uma peça publicitária, mas que o efeito foi contrário. O “paraíso” apresentado pela empresa de marketing, contratada pela Prefeitura, não convenceu as pessoas e ninguém com o mínimo de bom senso acredita que amontoar pessoas num lugar é solução para a falta de moradia. As pessoas da Fazendinha querem até receber no bairro os desabrigados das chuvas, como os companheiros do Morro do Bumba (que estiveram na audiência), mas que a comunidade da Fazendinha permaneça nas casas que eles construíram com muito esforço. Existem áreas suficientes para a construção de novas casas sem remoção das antigas”, afirmou Renatinho, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Depois da exibição do vídeo da empresa de marketing, os moradores apresentaram um filme com a realidade da comunidade, contanto um pouco da vida de quem mora na Fazendinha. Foram mostradas áreas de reserva ambiental, inclusive com espécies de animais que vivem no lugar. Os moradores – que estão na região há mais de 70 anos – mostraram que a estratégia da Prefeitura de levar para a audiência os moradores que estão no 3º Batalhão de Infantaria (Venda da Cruz, em São Gonçalo), não dividiu as duas comunidades.
Ronald, diretor da Associação de Moradores, explica a posição da comunidade

“Usaram pessoas da Fazendinha e do Bumba, na tentativa de dividir essas comunidades. Lamentamos esta postura do governo. Mesmo governo que jamais recebeu os desabrigados quando eles realizavam atos públicos na Prefeitura e mesmo governo que jamais enviou representantes às audiências públicas que trataram sobre a tragédia de abril de 2010, agora tenta usa-los, colocando povo contra povo. O que ficou claro aqui (na audiência) é que a população encontrará soluções para o problema de falta de moradia, a partir de audiência públicas com as autoridades. Mas não aceitará um projeto inacabado como este. Jorge Roberto e seu grupo estão há 20 anos no poder e devem estar querendo se igualar a Muamar Khadafi. Ele nunca respeitou trabalhador, não será agora que vamos acreditar em mais promessas”, assinalou David Villar, membro da Executiva do PSOL Niterói.

Manoel Martins fala durante a audiência: "Direito não se mendiga, se conquista!
Não abram mão dos seus direitos. Lutem!"
A estratégia da Prefeitura de usar os desabrigados contra a população do Sapê não rendeu o esperado pelos governistas. A população abrigada no 3º BI demostrou solidariedade às famílias do Sapê, que correm o risco agora de ficarem igualmente desabrigadas. Diversas alternativas foram apresentadas para viabilizar moradia digna para a população, sem que seja necessário criar um bairro semelhante a outros que flagrantemente deram errado em experiências anteriores, como, por exemplo, a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

Além da imediata recuperação de encostas, com reconstrução das residências onde isso é possível, a população lembrou das promessas de construção de casas nos terrenos do próprio 3º BI e no 4º GCam, o que possibilitaria a permanência de grande parte das pessoas em locais próximos aos bairros que anteriormente habitavam. Os cidadãos presentes também reivindicaram que prédios vazios no Centro e em outras áreas da cidade sejam desapropriados para servirem de moradia. Além disso, a Associação de Moradores da Fazendinha fez questão de demonstrar que existem áreas no bairro onde podem ser construídas diversas novas casas, mas não as 7 mil como pretende a Prefeitura, desabrigando quem lá habita.

“A cidade de Niterói deve repudiar esse projeto. Não acredito sequer que ele seja real. Mas ainda que seja, o projeto é ruim para a população da Fazendinha. É ruim para os desabrigados, para toda a região de Pendotiba e, consequentemente, é ruim para toda a cidade. Niterói não suporta um empreendimento desse porte, com tantas casas em uma só região. Isso inviabilizará o ir e vir dessa população para outras áreas da cidade e vai representar uma segregação para esta população de trabalhadores da cidade”, disse o senhor Antônio Oscar, do Observatório Social de Niterói.


Politica do "cobertor curto": abrigar parte dos desabrigados e desabrigar a população da Fazendinha?!?!
Sem explicação – Os moradores não tiveram explicações sobre vários pontos levantados na audiência, como: qual a razão que levou a escolha da Fazendinha como o local adequado para o tal “Bairro Modelo”; se houve realmente estudo que apontou que o melhor para os desabrigados, e para acabar de vez com o déficit de habitação de Niterói é fazer um bairro com tanta gente; e o estudo que confirma que o melhor para cidade de Niterói é fazer um “Bairro Modelo” em Pendotiba.

Além disso, eles não foram informados se há estudo que aponte como solução de habitação a criação deste tipo de projeto; se existe um plano diretor de Niterói com o zoneamento da região de Pendotiba, com as delimitações das áreas de restrição de ocupação urbana, e das zonas de amortecimento e de estudo de impacto de vizinhança do bairro. Ainda ficaram sem respontas as pessoas que questionaram se há estudo de impacto viário do bairro, estudo de impacto ambiental e o relatório de impacto ambiental.

Aos amigos (Família Cruz Nunes) tudo, aos inimigos (população) a "lei": Prefeitura desapropria para reconhecer "propriedade" ($$$) da Família Cruz Nunes e não garante nada além de promessas para os desabrigados e para a
população da Fazendinha
“Nosso mandato seguirá acompanhando as discussões e debates sobre habitação popular e aluguel social desde 2010. Queremos uma solução imediata e viável. Chega de promessas vazias que trazem mais prejuízos do que benefícios. O governo se comprometeu em realizar outras audiências públicas e nós vamos cobrar isso”, assinalou Renatinho.

“Quando houve a discussão da venda da Clin (Companhia de Limpeza de Niterói), o governo também disse que faria várias audiências e só fez uma. Infelizmente não podemos acreditar em nada do que Jorge e seus aliados dizem. Vamos lutar junto da população desabrigada e com os moradores da Fazendinha, para que o direito de ambas as partes seja respeitado e garantido. Como disse o grande camarada Manoel Martins: direito não se mendiga, se conquista”, completou ao final da audiência o vereador Renatinho.

VEJAM OS SLIDES APRESENTADOS PELA COMUNIDADE DA FAZENDINHA - SAPÊ DURANTE A AUDIÊNCIA PÚBLICA:
http://www.desabafosniteroienses.com.br/2011/08/slides-apresentados-pela-comunidade-da.html

VEJAM O RELATO DA COMUNIDADE SOBRE A AUDIÊNCIA PÚBLICA: http://www.desabafosniteroienses.com.br/2011/08/fazendinha-de-alma-lavada.html

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Magreb, Oriente Médio e a esquerda brasileira


















por Milton Temer e Juliano Medeiros

Passados seis meses da derrubada das ditaduras Ben Ali e Mubarak na Tunísia e no Egito, que balanço podemos fazer dos episódios considerados por parte da esquerda – aquela já habituada a ver crises revolucionárias onde existem limitadas crises sociais – importantes processos de revoluções democráticas? 

De fato não existem mais os governos anteriores tais como se apresentavam antes, acobertados pelas potências capitalistas ocidentais que ali tinham garantia da ação libertina de suas corporações privadas, e onde o Estado agia abertamente na repressão e desmonte do movimento social organizado e dos partidos de esquerda. Hoje, agem de forma bem mais refinada: não existe a polícia secreta, as ruas não escondem segredos. Mas mantêm-se inflexíveis na defesa da estrutura sócio-econômica anterior; na intocabilidade dos interesses das grandes corporações multinacionais ali operando, e no alto porcentual de participação dos militares na economia nacional – os mesmos que sustentaram e eram aliados de Mubarak. Em outras palavras, garantem uma “transição tutelada” que ainda não conseguiu sequer assegurar o surgimento de regimes democráticos, mesmo no sentido de uma democracia liberal típica do ocidente. Claro, existe a compensação simbólica da abertura da fronteira de Gaza. Mas sem nenhuma mudança fundamental no posicionamento em organismos internacionais sobre as atrocidades de Israel na região. 

E é compreensível que tão pouca coisa tenha mudado. Porque, para além do julgamento dos repressores às manifestações da Praça Tahir, poucos itens a mais existem como pólo de unidade da frente de oposição, a despeito dos esforços de uns poucos segmentos mais politizados. Depois de tanto tempo desestruturado, o movimento social, fragmentado, sem partidos de esquerda representativos, destruídos pela cooperação entre os militares traidores de Nasser e os interesses políticos da Irmandade Muçulmana, tinha limites estreitos de conquista. Mas, o que é positivo, foram bem mais longe do que os movimentos similares no Qatar, Jordânia, Yemen, Bahrein e Arábia Saudita, onde o status quo se manteve quase na íntegra, com a manutenção dos mesmos capatazes do imperialismo à frente destes diversos governos. 

Para quem testemunhou, ao vivo ou a cores, as expectativas e os momentos dramáticos que marcaram processos de grande mobilização no final dos anos 60, na Europa e na América Latina, onde verdadeiras revoluções pareciam estar batendo à porta, não foi difícil concluir que só por ingenuidade alguém imaginaria que estamos diante de processos revolucionários – seja no sentido marxiano do termo, seja naquele consagrado pelo pensamento social do século XX. Mais grave ainda, exigir que fossem movimentos revolucionários capazes de, para além de governos, terem a capacidade de derrubar regimes. 

Que fique bem claro: não estamos, com tais premissas, tentando propor apenas mais radicalização. Entendemos, sim, que movimentos sociais, por si, muito pouco podem obter de conclusivo no mundo de hoje por absoluta incapacidade deliberativa. A não ser que consigam uma ruptura ideológica no bojo das Forças Armadas, pelo que podem partir para uma total desconstrução do regime vigente, é dentro da luta institucional que conseguirão as condições capazes de assegurar transformações mais profundas. 

E nesse contexto é que devemos propor a análise de perdas e ganhos dos processos, sabendo identificar as características específicas de cada um deles, e admitindo que, em determinadas circunstâncias, somos obrigados a nos localizar no “menos pior”, para a solução de conflitos, mesmo que isso nos desagrade. Quem tem tradição na luta democrática como determinante na busca estratégica do socialismo, não tem problemas de afirmar que a oposição à hegemonia imperialista pode ser o determinante. E é isto por exemplo que está em jogo na diferença de tratamento que devemos dar aos casos da Líbia e da Síria, hoje transformados em alvos principais, depois que os ataques e ameaças ao Irã resultaram em absolutamente nada. 

Todos louvamos a independência do governo brasileiro com respeito ao governo Ahmadinejad, enquanto o Departamento de Estado americano, a União Européia e todas as forças reacionárias do mundo – as mesmas que não se vexam em tratar o sionismo xenófobo de Israel como vítima do “terrorismo” palestino – se empenhavam em garantir a sobrevivência de uma oposição laica, porém pró-imperialista e até saudosa da ditadura Pahlevi. Por que agora parte da esquerda não se manifesta diante da flagrante omissão do governo de Dilma diante das assumidas pretensões intervencionistas das potências ocidentais na Líbia e na Síria? Pior que isso: não será difícil encontrar quem ache que o Brasil deveria, a exemplo das potências imperialistas, romper imediatamente relações com o governo sírio! 

Ahmadinejad era algum modelo de revolucionário que nos pudesse servir de exemplo? Nem de perto. Mas era alvo do imperialismo exatamente por não compor com o governo israelense. Agora, diante do fracasso da investida inicial, ninguém fala mais do perigo nuclear no Irã, e as baterias se voltam para outros alvos – Kadafi, na Líbia, e Bashar Al-Assad, na Síria. Principalmente este último, por conta do empenho da quadrilha familiar que se apropriou da Arábia Saudita – a monarquia Saud, sócios históricos do complexo industrial-militar-petrolífero ianque. A partir da Arábia Saudita, a elite econômica sunita, inimiga dos alauitas, minoria popular a qual pertence Assad, é armada e estimulada à violência contra o regime sírio, que, a bem da verdade, responde na mesma moeda. 

E como se comportam agora os mesmos que não tiveram problemas na defesa de Ahmadinejad? Inverteram o rumo para o sentido oposto, e se somaram àquela parte da intelectualidade socialdemocrata européia; a mesma que embarcou no apoio ao caráter “humanista” da intervenção da OTAN nos Bálcãs, cujas sequelas trágicas estão até hoje alimentando a violência naquela região. Embarcam, in extremis, no apoio aos bombardeios sobre Tripoli e não se questionam sobre que tipo de opositores se levanta contra o hoje decrépito Kadafi e Al-Assad. Dão toda credibilidade àquela verdadeira quadrilha que caracteriza o comando rebelde de Benghazi, ou aos mercenários provocadores sunitas, armados e financiados pelos sauditas. 

Pois deveriam ler o documento do Partido Comunista Sírio, opositor pela esquerda ao governo sírio, mas que não se mistura com a parte da oposição manipulada pelo exterior e que recebe toda a cobertura para qualquer informação que “uma fonte não identificável” fornece sobre massacrantes ataques das forças leais ao governo. 

Em ambos os casos estabelece-se a questão: a esquerda revolucionária mundial ganha ou perde com a vitória das intervenções “humanitárias” agora localizadas na Líbia e em parte mínima da Síria? Quem se beneficiará com a queda dos dois ditadores – tais como são qualificados Kadafi e Assad pelas ditaduras do capital neoliberal ocidental? 

Essa é a questão a responder pelas esquerdas racionais, conscientes de suas limitações e das possibilidades de avanço real na conjuntura presente do norte da África e do Oriente Médio. Que eixo-referencial deve nos orientar? Aquele que obriga esses regimes a reformas que impeçam o avanço do neoliberalismo, consciente do enfraquecimento desses países diante do fim da polaridade EUA-URSS? Ou a submissão a conceitos virtuais de uma democracia liberal, na verdade traduzidos em recolonização explícita desses territórios, através de beleguins locais? 

Mais cedo ou mais tarde, a história cobra sua conta. O absurdo apoio às “reformas” de Gorbachev na URSS, que culminaram na restauração capitalista controlada pela máfia pró-Washington, ou a entusiasmada defesa em torno da “revolução” que culminou com a unificação das alemanhas em uma única potência capitalista, deveria servir de lição àqueles que ora outorgam sua solidariedade aos mercenários de Benghazi. Isso porque, tanto na Líbia quanto na Siria, é isso o que está em jogo. Existe uma oposição progressista, pequena e débil, e outra que se consolida no apoio externo, na intervenção direta – por financiamento econômico e militar. Misturar as duas, para se identificar com a segunda, é o que não podemos fazer. E isto, lamentavelmente, é o que parece prevalecer em certas correntes que têm por hábito superestimar avaliações, a despeito de todas as frustrações que já constataram. 

Não se trata, para a esquerda racional, de se identificar com Kadafi, Assad ou Ahmadinejad. Mas trata-se, isso sim, de não permitir ao imperialismo ianque e seus acólitos conservadores da União Européia de recuperarem o terreno que perderam nas intervenções criminosas do Afeganistão e do Iraque. 

Mas por força da limitação de espaços: o que, então, a esquerda socialista e democrática deve tirar de todas essas experiências que não são, na forma, sequer originais e nem as mais profundas? 

Antes de tudo, a conclusão de que, no mundo atual, mais que tudo há que se lutar pela garantia de melhores condições para a luta de massas. Isso passa pela organização de instrumentos políticos à serviço das transformações, profundamente comprometidos com as causas democráticas e orientados por uma estratégia de superação do capitalismo – precisamente o que tem faltado, por exemplo, aos jovens indignados da Europa. Para isso, criar condições para a ocupação de espaços nas instituições do Estado burguês que pretendemos desconstruir é um elemento decisivo. Ou seja; não ter medo de ampliar as forças para dentro do campo do inimigo (qual o efeito, por exemplo, da existência de uma frente política com influência de massas na Tunísia diante dos processos que lá tiveram sua origem?). Nessa batalha também podem ser forjadas operações deliberativas eficazes, em forma de lei, para combater as próprias leis. Diante disso, há os que dirão “Ah…mas não temos forças para isso. A direita sempre dominará as famigeradas instituições republicanas”. Sempre, não. As contradições entre eles já nos levam, no Brasil, a visualizar a possibilidade concreta de pôr fim, por exemplo, ao financiamento privado de campanhas eleitorais, com o que as possibilidades dos socialistas se alteram para melhor. E se não tivermos forças para aumentar a representação parlamentar, muito menos teremos para nos impor por vias alternativas mais significativas quando as condições históricas e conjunturais assim o exigirem. Esse talvez seja um dos grandes ensinamentos das revoltas no Magreb e Oriente Médio: advogar por um acúmulo de forças que gere condições para as mudanças que defendemos é muito mais eficaz que comemorar qualquer centelha que, longe das condições adequadas, jamais poderá incendiar a pradaria.

*Milton Temer, jornalista e ex-deputado federal, e Juliano Medeiros, editor do site internacionalista Unamérica e ex-dirigente da UNE, são membros do Diretório Nacional do PSOL.

*Fonte: Fundação Lauro Campos

Entidades lançam Comitê pelo Estado da Palestina Já!

Foi lançado nesta segunda-feira (29/08), em São Paulo, o Comitê pelo Estado da Palestina Já! O comitê reunirá diversas organizações e centralizará todas as ações no país em torno das mobilizações para que a Palestina seja reconhecida pela 66ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que será realizada em 13 de setembro, em Nova York, nos Estados Unidos.

 No próximo dia 18/09, domingo, o Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino - Rio de Janeiro – RJ fará manifestação pró  Palestina Livre e de denúncia das intervenções do imperialismo na Líbia e na Síria. A concentração está marcada para as 09 horas nas areias de Copacabana.

Já no dia 20 de setembro, um dia antes do início das votações na ONU, o Comitê pelo Estado da Palestina Já!(SP) promoverá um ato público e uma caminhada em defesa do Estado da Palestina. A concentração do protesto será às 17h na Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital paulista (em frente ao Theatro Municipal de São Paulo, na esquina com o viaduto do Chá, próximo à estação de metrô Anhangabaú).



Clique aqui e leia o manifesto das entidades que integram o Comitê.


http://www.brasildefato.com.br/node/7322


Leia e saiba mais, acessando no link abaixo: