domingo, 30 de janeiro de 2011

NADA DEVE PARECER NATURAL E IMPOSSÍVEL DE MUDAR!



CARTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DE NOVA FRIBURGO À POPULAÇÃO  

Basta de irresponsabilidade e mortes. As tragédias podem ser evitadas!
A região serrana do Estado do Rio de Janeiro assistiu, na madrugada do último dia 12, a reprise de um filme de catástrofes. Ao amanhecer é que se pôde visualizar e ter as primeiras dimensões do ocorrido. O cenário era de devastação e tragédia: ruas inundadas, encostas desbarrancadas, residências desmoronadas, pessoas desesperadas e aos prantos, pela perda de parentes, amigos e vizinhos.
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Na contramão do individualismo competitivo e ganancioso praticado pela burguesia, a população prontamente dedicou-se à solidariedade no socorro imediato às vítimas. Eram voluntários cavando com as próprias mãos, rompendo isolamentos, oferecendo teto e consolando os que tudo haviam perdido, mesmo que derramando lágrimas pelos entes queridos e pelo quadro geral de desolação.
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Após os momentos iniciais de incredulidade e pavor, as pessoas se perguntavam: não seria possível evitar tamanha perda material e de centenas de vidas? Já não se produziu conhecimento científico capaz de prever fenômenos naturais como este e evitar as conseqüências tão devastadoras? Não existem exemplos no mundo de tragédias similares para as quais foram encontradas soluções de forma a reduzir ao mínimo as perdas? A quem caberia tomar as iniciativas necessárias a impedir tamanha catástrofe? Por que as autoridades não tomaram as medidas preventivas?
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Na verdade, os trágicos acontecimentos são o reflexo direto de diversos fatores que atuam em conjunto, tais como a devastação da cobertura vegetal do planeta e o lançamento, na atmosfera, de um enorme volume dos chamados gases do efeito estufa, como o gás carbônico (CO2), o metano (CH4) e muitos outros.
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No entanto, a causa mais grave e evidente é a ocupação desordenada de encostas, margens de rios e outros espaços impróprios nas cidades, sem respeito às exigências técnicas de segurança. As áreas de risco são ocupadas por vias públicas e famílias de baixa renda que não têm para onde ir e precisam estar perto dos centros urbanos, mas também por habitações voltadas às camadas de rendas média e alta, construídas em ações de especulação imobiliária.
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De igual forma, a falta de estudos e ações preventivas, aliada ao despreparo e à precariedade dos equipamentos das entidades de Defesa Civil e à total falta de concatenação dos governos e dos diversos órgãos que têm a possibilidade de atuar em situações de emergência, denuncia a visão imediatista dos políticos burgueses, praticantes da troca fisiológica de favores por votos, deixando ao léu qualquer perspectiva de administração planejada das cidades em prol do interesse popular. Fica clara a total falta de compromisso dos governos com as camadas populares e suas necessidades.
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Neste momento de dor e sofrimento, a tarefa imediata é prestar solidariedade, arregaçar as mangas, ajudar as vítimas. Mas uma tragédia como essa é uma demonstração clara de que o uso do solo para os interesses do capital, a ocupação das cidades em benefício dos ricos, a falta de participação direta da maioria da população nas decisões políticas não podem continuar.
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Já passou a hora de a população, que paga seus impostos e produz a riqueza através do trabalho, mudar este estado de coisas. A classe trabalhadora tem o direito de receber de volta e a fundo perdido os recursos (no lugar do saque do Fundo de Garantia) para adquirir moradia digna em local seguro, com todos os equipamentos urbanos e sociais que o Estado tem a obrigação de oferecer: pavimentação, iluminação pública, saneamento básico (coleta de lixo, água potável e esgoto tratado), energia elétrica (com tarifas equivalentes às contas de luz das indústrias), telefonia, transporte público a preços justos, educação, cultura e lazer. Se há dinheiro sobrando para socorrer grandes empresas e bancos durantes as crises do capitalismo, é inaceitável não haver recursos para salvar e manter a vida dos trabalhadores. Além disso, é preciso decretar a garantia de empregos e salários.

É urgente a união dos movimentos e organizações representativas dos trabalhadores para ações conjuntas no caminho da (re)construção das cidades sobre novas bases, visando ao atendimento dos interesses populares:

- Plano emergencial para atendimento às necessidades imediatas das populações atingidas pela tragédia, com acolhimento aos desabrigados, aluguel social, alimentação e atendimento médico;
- Isenção de impostos, taxas e tarifas aos atingidos pela catátrofe;
- Recurso a fundo perdido para aquisição de bens móveis extraviados;
- Campanha de saúde preventiva para toda a população;
- Garantia de empregos e salários;
- Formação de conselhos populares para acompanhamento da aplicação das verbas federais nos municípios arrasados pelas chuvas e das políticas públicas a serem adotadas;
- Construção de moradias populares em áreas seguras e com dignas condições de vida (infraestrutura, saúde, educação, transporte);
- Plano permanente de preservação ambiental, na contramão da lógica capitalista destruidora;
- Construção do Poder Popular com vistas à democracia direta na tomada de decisões.


Sindicatos dos Trabalhadores Metalúrgicos, Têxteis, Vestuário, Saúde e Previdência, Professores e Profissionais da Educação no Estado do Rio de Janeiro (SEPE), Associação de Docentes da Faculdade Santa Dorotéia, PCB, PSTU e PSOL

VEREADOR RENATINHO SOLIDÁRIO COM MORADORES DA REGIÃO SERRANA - ENVIA SUA ASSESSORIA PARA AJUDAR

O Vereador Renatinho, através do Comboio Classista de Solidariedade CSP/ CONLUTAS, enviou parte de sua assessoria  para ajudar na organização de uma rede de atendimento às vítimas de Nova friburgo.
Comboio Classista de Solidariedade/ CSP - CONLUTAS

"FRIBURGO É UMA CIDADE OPERÁRIA. QUEM MORA NAS ENCOSTAS É POVO TRABALHADOR!", diz Renatinho.

Na década de 90 -  início da era neoliberalista de FHC -  grandes indústrias da cidade transferem seu parque - metalúrgico e textil - para estados e países com mão de obra mais barata e maiores incentivos fiscais.
Surge, a partir dai, a indústria de moda íntima, de fundo de quintal,  formada por trabalhadores desempregados. Deu certo. O governo, bancos, SEBRAE e FIRJAN começam a apostar -  incentivando a legalização - da mais nova economia, capaz de tirar a cidade do buraco.


MÃO DE OBRA BARATA DO INTERIOR

A indústria da moda íntima não requer mão de obra especializada nem treinamento de custo elevado. O treinamento de uma costureira é feito na própria confecção. Isso contribui para que os salários permaneçam no patamar do mínimo. Hoje, uma costureira sindicalizada recebe um salário de 560 reais por oito horas de trabalho.

treinamento na própria confecção

"  Sou nascida em Macuco. Vim pra morar em Friburgo faz mais de vinte anos. Lá em Macuco não tem emprego. Salário com a carteira assinada você não acha. Sou da roça e estudei pouco, só até a segunda série. Depois fiquei sem escola perto de casa. Morei e trabalhei em Cantagalo, numa casa de família por 8 anos, mas lá ninguém paga salário mínimo. Hoje, trabalho na confecção, faço faxina e ganho como doméstica um salário. Vou fazer treinamento pra costureira, será que ainda consigo? Estou velha, 52 anos. Meus filhos gostam daqui por causa da escola e das festas. Tem dois estudando e um trabalhando na entrega de gás. Ganha salário também. Moro em casa alugada, pago 300 por mês. Fui procurar o "minha casa, minha vida", mas tem que ter renda maior." declara Dona Eunice, Nicinha, como gosta de ser chamada.


" Você começa limpando, separando e embalando as peças. Se, mostrar interesse, a chefe te coloca para treinar  no horário do almoço e do lanche, sempre que tiver uma folguinha, ou se faltar alguém. Depois que você está treinada passa para as máquinas. Não é difícil. É só querer de verdade que você consegue! Como costureira se ganha mais. O salário do sindicato é 560 e mais o prêmio de 100 para não faltar.Também faço hora extra. Todo mundo faz! Moro aqui perto, não pago passagem e almoço na confecção. Pago 200 para meu filho ficar numa creche. " diz Camila, 19 anos, costureira e mãe solteira de um menino com 2.



foto do Bairro Jardim Ouro Preto
SALÁRIOS BAIXOS: EXCESSO DE CONTINGENTE

Os moradores das áreas de risco, na sua maioria, pessoas vindas de outros municípios, são mão de obra da indústria de moda íntima, da construção civil e do comércio. Sem geração de trabalho em suas cidades de origem, famílias se deslocam na tentativa de criar seus filhos em condições melhores de trabalho e educação. Uma vez na cidade, formam um grande contingente de mão de obra barata - sem especialização -  gerando  lucros para os empresários e comerciantes da cidade.


PEQUENOS E MÉDIOS EMPRESÁRIOS INVESTEM NAS FACÇÕES PARA PAGAR MENOS IMPOSTOS

Para não ter que registrar todos os funcionários,  pequenos e médios empresários, utilizam o sistema de facção - colocando máquinas e insumos na casa de costureiras -  terceirizando o serviço das muitas confecções sem registro. Muitas dessas facções, alojadas em casa ou no fundo do quintal são responsáveis por empregar toda uma mesma família. Nos desabamentos e nas enchentes, essas pessoas ficaram sem casa, sem  trabalho, sem nenhuma garantia ou direito trabalhista.


                                           "A Tragédia apenas começou com as chuvas e desabamentos. Ela se estende na quantidade enorme de pessoas que ficarão desassistidas. Há um ano os desabrigados de Angra lutam para morar dignamente e terem de volta o que perderam. Os desabrigados de Niterói, - do Bumba e outros locais da cidade  -,  estão voltando para as áreas de risco por não terem lugar para morar. Só 1/3 dos 11 mil desabrigados de Niterói, recebe o Morar Seguro, projeto do Sérgio Cabral, que coloca na mão das pessoas - 400 reais -, sem recebimento certo e sem garantia de nada! A prefeitura de Niterói nada faz, só administra e repassa aquilo que o estado dá. Uma vergonha! O prefeito declarou para imprensa que está construindo 4.380 casas, onde? Alguém sabe, alguém viu? Está se criando um exército de desassistidos! Seres humanos que pagam, com muita dor, a conta do descaso e da irresponsabilidade dos gestores desse país!" fala Renatinho (PSOL) 



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

FALA RENATINHO!!!

“Parece inacreditável que um governo ameace semanalmente remover do abrigo as famílias que perderam tudo na tragédia, mas em Niterói essa é a realidade. Parece que esta Prefeitura não se cansa de praticar injustiças e cometer abusos! São promessas e mais promessas, mas quase um ano depois nenhuma casa foi construída, e dos mais de 10 mil desabrigados apenas 3.200 recebem o beneficio do “Morar Seguro”. Em maio de 2010 cobramos que o restante dos cadastrados passassem a receber o beneficio, um dos responsáveis pelo Gabinete de Crise nos disse que o Estado ia pagar a todos, mas até hoje nada. Como as famílias do 4º Gcam podem acreditar em alguma coisa que esse governo diz? Se o contrato do Morar Seguro não for renovado, não terão apenas 500 pessoas reivindicando um abrigo, muito mais famílias terão que retornar para lá. E se chover forte, será pior ainda, pois muitos que voltaram para suas casas em área de risco só terão o abrigo como opção de refugio. Então, não dá para prometer casas populares para 2012 e querer que as pessoas se amontoem todas no 3º BI. Eu vou lutar para que se mantenham os dois abrigos abertos e com os serviços funcionando porque essas famílias precisam.”,

disse o vereador Renatinho (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Niterói, que vai cobrar da Mesa Diretora da Câmara que seu requerimento de audiência pública para debater com o governo e com o Ministério Público a situação dos desabrigados da cidade, seja votado e aprovado ainda no inicio de fevereiro, quando a Câmara volta do recesso.


ESCOLA FLORESTAN FERNANDES PROMOVE O ENCONTRO DE VIOLEIROS, POETAS E CANTADORES NESSA SEXTA-FEIRA EM SP

SAMBA DA COMUNIDADE VAI SER NO DOMINGO DIA 30/ 01

No dia 18 de janeiro de 2011, o presidente da ASSET- Associação dos Sitiantes Tradicionais da Serra da Tiririca, Davi Cortes dos Santos e sua família, foram despejados do Sitio da Serra, que Davi herdou do pai e já pertence à família há quase uma centena de anos! A especulação imobiliária ataca mais uma vez as comunidades da Serra da Tiririca e precisamos lutar para que esta família de trabalhadores tenha seu direito de posse e moradia respeitados! 

Compareça, almoce conosco, curta o samba e assine o abaixo assinado contra o despejo da família do Davi, presidente da ASSET e um guerreiro em defesa da Serra da Tiririca! 


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

FRIBURGO: UM BAIRRO POR ANO AUMENTA O PATRIMÔNIO DAS EMPRESAS DE ÁGUA, LUZ E TRANSPORTE!


Faróis acesos, poeira sufocante e cenário devastador. 

Ao meu lado, Aderson Bussinger, advogado, representante da OAB que visitou o Haiti em 2009. Distribuíamos água e fraldas descartáveis na enorme fila que se formou em torno do caminhão de donativos que levamos.          




“Água, precisamos de água. Tenho cinco crianças em casa. Duas são meus filhos e três do vizinho que perdeu tudo!”, declarou Paulo Afonso da Silva Herdy, 43 anos, dono de uma confecção e morador do Jardim Califórnia, bairro popular de Friburgo.





                      
                            
 foto Comboio Classista de Solidariedade







 280 cestas básicas e os 1.600 litros de água mineral que levamos,  foram distribuídos em 60 minutos!





                                            
ENCOSTAS OCUPADAS 

Nova Friburgo, uma cidade entre vales estreitos, cresce entre as encostas e os rios. Com capacidade para  80 mil habitantes, Friburgo, hoje, possui uma população de mais de 173 mil. É um dos grandes polos da indústria de moda íntima do Brasil. Em seu parque industrial se encontram grandes metalúrgicas e fábricas de  fiação e tecelagem. Assim, tornou-se um atrativo para pessoas oriundas dos municípios vizinhos, que  não oferecem geração de emprego e renda, não possuem indústrias, nem projetos de incentivo para agricultura familiar e turismo. Esses municípios, -  alguns recebedores de royalties,  como Trajano de Moraes e Madalena, - exportam para Friburgo sua população jovem, as vezes famílias inteiras, em busca de trabalho, renda e formação profissional. 



LOTEAMENTOS URBANIZADOS

"A cada ano mais um bairro é criado. Luz, água, e pavimentação chegam rapidinho. A Empresa de Ônibus, FAOL, única no município, coloca uma linha e pronto, aquilo se estende. Se haviam 20 casas,  da noite para o dia, viram 200!", conta  Dona Laís de Mattos,  62 anos, aposentada da fábrica Ypú e moradora do Bairro Rui Sanglard, um dos mais castigados.


                           
foto do Bairro Jardim Ouro Preto, caminho em direção ao 
Distrito de Conselheiro Paulino.



PREFEITURA DIZ QUE  OBRAS SÃO IRREGULARES. 
RESPONSABILIDADE DE QUEM?

Os bairros, loteamentos urbanizados, contam com Luz, Taxa de Iluminação Pública, Água, Creche e Linha de ônibus. Em alguns locais, existe  a cobrança de IPTU e Taxa do Lixo. 

Como no Morro do Bumba, em Niterói, a situação se repete, dessa vez em Friburgo.
Em Angra dos Reis, o Decreto nº 41.921/09, do Governador Sérgio Cabral,  publicado em junho de 2009, autorizou a construção em áreas não edificáveis da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, que incluiu  uma faixa de mais 80 quilômetros do litoral de Angra, a face da Ilha Grande voltada para o continente e as mais de 90 ilhas da baía. Nas chuvas de 2010, na Enseada do Bananal, a Pousada Sankay e outras sete casas foram soterradas e  morreram 29 pessoas.






CENÁRIO DE GUERRA

Pessoas convivendo em  meio aos carros virados, destroços, lama e esgoto misturados, cheiro insuportável e poeira intensa.

“ Aqui, creio que morreram mais de 15 pessoas. Retiraram 4 corpos, outros não foram encontrados e ainda pode ter  muito mais. Estamos pedindo que retirem os destroços. É muito perigoso. Temos crianças, idosos e mal podemos abrir a porta, mas a defesa civil nem atende mais os telefonemas. Sabemos que no Centro tem muita destruição, mas aqui mora muito mais gente!”, denuncia Flávia Curty, moradora de um sobrado, onde a casa de baixo teve as paredes arrombadas pelos destroços trazidos na enxurrada.

“Só não morremos porque estávamos todos num aniversário na casa da minha mãe.”, desabafa Sandra, irmã de Flávia.




EM MEIO À POEIRA, A SOLIDARIEDADE É MAIOR QUE A PERDA.

Cestas básicas, água mineral, produtos de limpeza, de higiene pessoal, fraldas descartáveis, roupas, brinquedos e colchões foram distribuídos com a indicação de quem precisa para quem precisa mais. 

"Moça, pode dar minha cesta básica para ele, apontando um rapaz novo com uma criança no colo. Ele perdeu mais do que eu!"  

Não consigo me conter e choro. Ela aperta a minha mão e chora também... Sem voz, não consigo me apresentar nem perguntar o  nome dela.


UM ENGARRAFAMENTO PARA RECEBER ÁGUA E CESTAS BÁSICAS

"Os donativos, encaminhados aos Centros de Acolhimento, não estão chegando aos bairros e pessoas estão ficando desassistidas. É preciso formar uma rede para distribuição.  Temos que chegar aos locais isolados, nos bairros populares mais distantes. Lá, estão sem água e comida.", declara  Pedro, diretor do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas de Nova Friburgo.


Maiores informações sobre as saídas do COMBOIO CLASSISTA DE SOLIDARIEDADE 
CSP-CONLUTAS -  Travessa Teotônio Regadas, 26, 6º andar, na Lapa, ao lado da Sala Cecília Meireles ou pelo telefone: (21) 2509-1856.



TRAGÉDIA NA REGIÃO SERRANA: UMA AVALANCHE DE INCOMPETÊNCIA, IRRESPONSABILIDADE, INDIFERENÇA E CINISMO DO PODER PÚBLICO


Às 13  horas , do dia 20/01, nosso comboio de ajuda humanitária,  batizado de “ Comboio Classista de Solidariedade”, vindo de Niterói e Rio de Janeiro,  se aproxima de Nova Friburgo. Este comboio tem um significado especial para nós. Foi organizado pelos sindicatos,  partidos de esquerda e ativistas dos movimentos sociais, enfim por pessoas  que durante anos  vem denunciando  o descaso das autoridades   em relação ao meio ambiente e seu notório desprezo pela vida humana.


Quando, finalmente, entramos na cidade percebemos que, apesar de todo o sensacionalismo, as redes de TV, os jornais e a internet não conseguem retratar a real situação dessa cidade devastada pelas fortes chuvas, pela enchente e, principalmente, pelas avalanches de lama que desceram das montanhas, cujo poder destruição foi dramaticamente potencializado pelo olímpico desprezo de nossos governantes para quem a necessidade de preservação ambiental não passa de entrave para o agro negócio e para a especulação imobiliária.

Dois exemplos dessa indiferença merecem ser destacados.
O primeiro ocorreu durante algumas quedas de barreiras e desabamento de casas na década de 1980, quando Nova Friburgo era administrada pelo prefeito Heródoto Bento de Melo que é também o atual prefeito da cidade.  Em uma entrevista para o Jornal “O Fluminense”, ele disse que os desmoronamentos e as vítimas serviam como profilaxia, ou seja, serviam de lição para que outras pessoas não construíssem em locais perigosos. Entretanto se calou quanto questionado sobre a especulação imobiliária que, já naquela época, estava colocando em risco a população da cidade.

O segundo exemplo do cinismo de alguns políticos foi a resposta do deputado Aldo Rabelo do PC do B (SP) aos jornais que denunciaram sua proposta de modificação do Código Florestal que, para atender às reivindicações da bancada ruralista, reduz as áreas de preservação. O deputado diz que o Código Florestal não tem nada a ver com a tragédia ocorrida na Região Serrana porque esta foi em área urbana.  Parece que o deputado ignora que  áreas urbanas e rurais fazem parte de um mesmo ecossistema.

Mesmo assim, aqueles que, durante anos, gritaram, espernearam, abraçaram praças e rios, se amarraram em árvores, protestaram , exigindo relatórios de impacto ambiental e o embargo de obras; que clamaram por um Plano Diretor que respeitasse o ser humano e o meio ambiente, não cruzaram os braços diante dessa tragédia sem precedente em termos de desastre climático no Brasil. Pelo contrário, arregaçaram as mangas para ajudar as vítimas, mas que, apesar da dor  e de todo o horror que vislumbram, não se calam.


HÁ CRIMES E HÁ CRIMINOSOS QUE SE BENEFICIARAM

É inaceitável a doação escandalosa que o governador Sérgio Cabral fez à Fundação Roberto Marinho. Foram R$ 24 milhões do FECAM - Fundo Estadual de Conservação do Meio Ambiente-, para a construção de um museu.  Importante ressaltar que no Orçamento da União para 2011, o Programa "Prevenção e Preparação para Desastres" sofreu um corte de R$ 30,5 milhões, o equivalente a 18% em relação à previsão inicial de 2010.

Do montante previsto para o Programa de Prevenção em 2010, apenas 40% foram gastos, sendo que o estado do Rio de Janeiro recebeu apenas 0,6% desse total. E se o dinheiro destinado ao Rio de Janeiro fosse todo repassado, com certeza Sergio Cabral daria outro destino para ele, como fez com a verba do FECAM.
Em entrevista ao “Estadão” Debarati Guha-Sapir, consultora externa da ONU e diretora do Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres, fez duras críticas aos nossos governantes: "O Brasil não é Bangladesh e não tem nenhuma desculpa para permitir, no século 21, que pessoas morram em deslizamentos de terras causados por chuva."

As denúncias precisam ser feitas, não por revanchismo, mas porque só através de um diagnóstico correto é possível curar a doença, receitando um remédio que seja realmente eficaz. Agora, é a hora de botar a boca no trombone porque daqui a pouco a mídia corporativa  retira da pauta a tragédia da Região Serrana e volta suas  câmeras para um outro assunto que dê mais audiência.  Repórteres e apresentadores de TV nunca mais foram ao Morro do Bumba pra saber como estão vivendo aquelas famílias, nunca mais foram a Angra dos Reis para perguntar a um desabrigado como está sua vida, se a ajuda prometida pelo governo chegou até eles ou se o governo cumpriu com suas promessas.

Os moradores de Nova Friburgo e das outras cidades atingidas por essa tragédia só lograrão alguma reparação pelos danos materiais causados pelas enchentes e deslizamentos, mas também pela omissão, pela incompetência, pela indiferença e pela ganância da especulação imobiliária, se estiverem unidos e organizados para lutarem pelos seus direitos. Caso contrário, ficarão limitados às ações políticas de sempre: autoridades visitando áreas afetadas, lamentando a tragédia, responsabilizando o clima e as moradias construídas em áreas de riscos pelo desastre e prometendo verbas.

Beth Monteiro e Beatrice Miller




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